Crônica
Artes & Narrativas
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Primeiros Passos no Altar: Entre o Medo e a Superação
As primeiras pregações sempre deixam marcas profundas, gravadas como um selo no coração de quem as vive. Tenho a lembrança viva de quando, com apenas 10 anos, subi ao púlpito pela primeira vez para levar a mensagem principal. Foi no Morro dos Alagoanos, em um templo simples, ainda na parte de baixo da sede própria da igreja. Era 1995 ou 1996, e eu, tão jovem, sentia o peso da responsabilidade e a expectativa de falar sobre algo maior do que eu mesmo. Preguei sobre Jonas. A história daquele homem que tentou fugir de Deus parecia ecoar de forma simbólica no meu próprio coração. Eu não queria fugir, mas tremia diante…
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Marcas na Infância: Lições Entre Brincadeiras e Consequências
As tardes na rua eram repletas de risadas, correria e improvisos. Em frente à nossa casa, um espaço entre a minha e a dos meus tios Zeco e Maria, montávamos nossa “arena”. Ali, travinhas improvisadas e uma turma que hoje em dia ficou guardada mais na memória afetiva do que nos nomes. Mas alguns não se apagam: Rafael, meu primo; Josué; Gessé; Whashiton; e Lila. Lila era um garoto branco, magro, que frequentemente jogava sem camisa. Era habilidoso, mas, por vezes, passava dos limites. Em um dia que parecia comum, uma jogada brusca mudou o tom da brincadeira. Lila deu uma entrada dura no Rafael e, como se não bastasse,…
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Cicatrizes de Aço
Nos fundos do quintal do meu tio Zeco, próximo ao muro baixo que dividia nossa casa da casa da dona Marta, havia uma área de serviço, um espaço que se tornava palco de nossas brincadeiras. Naquele dia, uma fogueira dominava o cenário. Não me lembro ao certo o porquê de a fogueira estar lá, mas sua presença logo se integrou à imaginação fértil que movia minhas brincadeiras com meu primo Rafael. Brincávamos de espadas. Minha espada era uma barra de ferro arredondada, brilhante, que eu imaginava ser tão poderosa quanto as das histórias que povoavam minha mente. Movido por um desejo de torná-la ainda mais imponente, decidi introduzi-la no fogo…
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Ensaios da Realidade: O Funeral da Formiga
No quintal de casa, no bairro Grande Vitória, o palco era simples, mas cheio de possibilidades. Bastava uma formiga morta e uma caixa de fósforo vazia para que minha imaginação transformasse o ordinário em algo quase cerimonial. A brincadeira daquela tarde ensaiava um aspecto profundo da realidade: a despedida. A formiga, encontrada já sem vida, tornou-se o centro de um ritual. Peguei a caixa de fósforo e a transformei em um pequeno caixão. Cuidadosamente, coloquei a formiga dentro, fechando a tampa com um senso inesperado de reverência. Em seguida, comecei a escavar a areia do quintal, criando um buraco que serviria de sepultura. Era pequeno, proporcional ao tamanho do ser…
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Memórias de Uma Infância Distante: As Idas e Vindas da Escola
As idas e vindas da escola Maria Stela de Novaes moldavam-se como um padrão inevitável. Não era um caminho escolhido por mim, mas um destino diário conduzido pela necessidade. Dentre tantos colegas que compartilhavam o trajeto, a Jaque começou a se destacar. Era a terceira série, e nós já nos reuníamos em pequenos “bandos” para ir e voltar da escola. Cada um seguia seu rumo ao final do trajeto, mas até então, caminhávamos juntos, construindo uma rotina que, sem perceber, marcaria a memória. Chegávamos à minha rua, e enquanto eu descia para a Rua da Vitória, em algumas ocasiões, acompanhava Jaqueline até a entrada da sua casa. Nunca conheci seus…
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A Glória que Transborda: Uma Experiência com o Espírito Santo
Aquela energia indescritível, um poder que não se limita à compreensão humana, brota do coração e percorre cada célula do corpo, da cabeça até a ponta dos pés. É um poder que não nasce do esforço humano, mas da rendição absoluta ao Criador. Esse poder se manifesta com intensidade quando, com a boca e a alma em uníssono, proclamamos: Glória, Glória, Glória a Deus! Foi assim que o senti, em 2002, na Assembleia de Deus no bairro Primeiro de Maio. O culto estava cheio, mas, ao mesmo tempo, parecia que eu estava sozinho na presença do Senhor. Diante do altar, dobrei os joelhos. Era um gesto simples, mas cheio de…
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A Cura Imediata: Quando Deus se Manifesta na Fragilidade
Eram dias de festa na Assembleia de Deus no Bairro Grande Vitória, Congregação do Ministério da Volta do Rabaioli. A igreja estava cheia, as pessoas transbordavam alegria, e os bancos estavam repletos de fiéis prontos para celebrar. Meus pais, como sempre, estavam presentes. Papai, discreto, escolhia um lugar próximo à porta. Eu, doente e impossibilitado de andar, estava no colo de minha mãe. Naquele tempo, minha realidade era marcada por limitações físicas causadas por uma meningite que tinha me atingido severamente. Minhas pernas não firmavam, e a dor na coluna era constante e avassaladora. A cabeça de criança não compreendia a gravidade da situação. Para mim, a vida de internações,…
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A Memória Eterna de uma Mensagem
Era o ano 2000, e eu caminhava pelas ruas que marcavam os limites entre Pedra dos Búzios e Primeiro de Maio. Atravessar aquela ponte a pé, sentir o calor do meio-dia e ser abraçado pelo silêncio das ruas parecia mais um ato corriqueiro, um percurso que a rotina tornava automático. Curvei à direita, passei pela Igreja Batista que repousava à esquerda e segui adiante, imerso na banalidade dos passos. Não havia pressa, não havia grandes expectativas, apenas o caminho e o calor, que parecia querer se impregnar no ar e na pele. À frente, um caminhão FENEME descansava, dividindo a rua entre o fim e o começo de algo. E…
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Buracos no Caminho e na Rotina
Era o ano de 2001, e meu pai era responsável por um ponto de pregação em Paul, Vila Velha. Um lugar simples, escondido nos labirintos da periferia, onde a fé se erguia em meio a terrenos que exigiam mais do espírito do que do corpo. Para chegar àquela casa, passávamos por caminhos que o asfalto jamais tocara. Depois do viaduto principal, virávamos à direita, atravessávamos por baixo de um viaduto mais estreito e seguíamos adiante, em direção a um morro. O carro ficava para trás, pois dali em diante o trajeto pertencia apenas aos pés: uma trilha estreita, margeada pela mata, onde apenas uma pessoa podia passar por vez. Esse…
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O Aviso no Barracão de Tábua
O Pastor Sebastião, marido da irmã Nelza, presidia uma igreja independente chamada Assembleia de Deus Ministério Ide, no bairro Primeiro de Maio. Era uma congregação humilde, mas que carregava em si uma força espiritual singular. Conhecíamos o pastor Sebastião desde antes, quando meu pai pastoreava uma igreja na mesma rua, que mais tarde se fundiria ao Ministério de Jardim Colorado. Contudo, minhas lembranças mais marcantes com o Ministério Ide remontam aos idos de 1997, quando seu templo ainda era um simples barracão de tábuas, erguido no meio do canal que dividia os bairros de Primeiro de Maio e Pedra dos Búzios. Minha primeira visita ao barracão foi marcada pela simplicidade.…




























