Existencialismo
Artes & Narrativas
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O Peso da Palavra e a Aula que Silenciou
Como é bom o tempo de escola. Um tempo em que a maior preocupação era não ter preocupações. Mas aprendi, mesmo cedo, que quem não tem, sempre encontra. Eu encontrava na escola um lugar de fascínio, um universo onde a curiosidade era o ingresso para mundos que eu não conhecia. Sempre gostei de aprender, de sentar perto de quem sabia mais do que eu e beber da fonte do conhecimento. Que delícia era ouvir os professores falarem, compartilhando não apenas lições, mas fragmentos da vida. Acordava ansioso para chegar à sala de aula. Cada manhã era uma promessa de descoberta. Triste era quando as férias chegavam, trazendo uma pausa forçada…
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Entre a Imaginação e a Realidade: O Prego que Marcou
O céu estava azul. Algumas nuvens espalhavam-se pelo horizonte, pintando aquela tarde com um toque divino. Meu pai trabalhava fora, enquanto minha mãe, em sua labuta doméstica incansável, parecia nunca parar. Ela acordava antes de todos e só encontrava repouso muito depois que meu pai. Suas mãos moldavam o dia, enquanto meu universo infantil se desenrolava no quintal de nossa casa. Era um quintal vasto, um território onde cada grão de areia parecia ter uma história. Minha brincadeira favorita era contá-los, sem pressa, sem compromisso, apenas acompanhando a cadência da minha imaginação. Era um mundo só meu, um espaço onde o possível e o impossível se misturavam. Nessa vastidão, encontrei…
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Cascalhos da Infância: Uma Lição de Perdão
Brincar com meu primo Rafael era uma das maiores alegrias da minha infância. Nossa conexão era natural, simples, como se fôssemos feitos para entender e completar as aventuras um do outro. Mas, como em toda convivência, às vezes as coisas saíam do trilho, e foi em uma dessas ocasiões que aprendi uma lição que jamais esquecerei. Era um dia como tantos outros no quintal de casa, no bairro Grande Vitória. Estávamos ao lado da banheira velha que usávamos como “mar”, um pequeno oceano alimentado pela nossa imaginação. A banheira ficava perto do muro que fazia divisa com a casa do Rafael, e aquele pedaço de quintal, com seu chão de…
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As Primeiras Pedaladas: Entre o Amparo e a Liberdade
Lembro com clareza do dia em que meu pai chegou em casa com uma bicicleta Monark verde e preta, novinha em folha. Ela era linda, brilhava à luz do sol, como se carregasse consigo a promessa de aventuras que ainda não conhecia. Para uma criança, ter uma bicicleta nova era como receber as chaves para um mundo maior, um mundo que se estendia além do quintal de casa. Mas, antes de conquistar esse mundo, havia um desafio: aprender a pedalar. No quintal de nossa casa, no bairro Grande Vitória, o chão era coberto de areia. Um terreno improvisado, mas perfeito para as primeiras lições. Meu pai, com sua paciência inabalável,…
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A Descida sem Freio: Entre o Medo e o Livramento
As imagens vêm como flashes na memória, cenas soltas de um tempo distante, mas que a alma jamais esquece. Era um dia de domingo, daqueles dias que pareciam maiores na infância, e minha avó Arlinda havia me levado à Igreja Católica no bairro Estrelinha. A igreja ficava no alto, quase ao final de uma rua calçada com bloquetes de concreto. Subindo o morro, ela surgia como um marco entre o céu e a terra, silenciosa e serena. Não sei o motivo de termos ido naquele dia, mas o que realmente marcou a minha lembrança aconteceu durante a semana, quando aquele morro se tornou o cenário de um livramento que nunca…
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O Folheto no Vento
Transições são tempos de movimento e inquietação. Elas nos afastam do conforto do conhecido e nos lançam no turbilhão do incerto. Era exatamente assim que me sentia: desorientado, cheio de perguntas que pareciam ecoar sem resposta. Minhas orações eram constantes, mas os céus permaneciam silenciosos. Cada dia parecia um mergulho mais fundo em uma névoa de dúvidas e hesitações. Era uma tarde como tantas outras, mas que se tornaria inesquecível. Aproximadamente às quatro da tarde, eu caminhava pela calçada próxima ao Palácio Anchieta. O sol começava a inclinar-se, tingindo o céu de tons mais suaves, mas dentro de mim, não havia suavidade, apenas uma tempestade de pensamentos. Atravessava aquele espaço…
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Memórias na Piscina: O Reflexo do Passado
A adolescência é marcada por fases, por vezes intensas, que moldam nosso olhar para o mundo e para nós mesmos. Em minha adolescência, um dos lugares que mais amava frequentar era o Vitória Futebol Clube, um espaço que se tornou uma extensão da minha casa, quase como um santuário de descobertas e superações. Foi lá que me conectei com a natação, uma prática que abracei por dois ou três anos, graças ao programa da Secretaria de Esportes da Prefeitura de Vitória. Não era apenas um lugar para nadar; era um espaço onde construí memórias que ainda vivem em mim. As pessoas me conheciam ali, e essa familiaridade me fazia sentir…
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Caminhos Que se Cruzaram na Infância e se Recriaram no Tempo
A infância tem o dom de nos presentear com laços que, mesmo desfeitos pelo tempo, permanecem em nossa memória com a intensidade de algo que nunca se perdeu. Os primeiros amigos que fizeram parte da minha vida e circularam pela minha casa, cada um à sua maneira, moldaram um período de descobertas e aprendizados. Daniel, Ana Paula, Aline e Keila, nomes que carregam histórias compartilhadas, risadas inocentes e momentos que ainda ecoam na minha lembrança. Keila, com seu jeito determinado, era a mais marcante entre eles. Cresceu e se tornou policial, uma profissão que combina com o espírito firme que ela já demonstrava mesmo em suas brincadeiras de criança. Lembro…
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Ensaios da Realidade: O Funeral da Formiga
No quintal de casa, no bairro Grande Vitória, o palco era simples, mas cheio de possibilidades. Bastava uma formiga morta e uma caixa de fósforo vazia para que minha imaginação transformasse o ordinário em algo quase cerimonial. A brincadeira daquela tarde ensaiava um aspecto profundo da realidade: a despedida. A formiga, encontrada já sem vida, tornou-se o centro de um ritual. Peguei a caixa de fósforo e a transformei em um pequeno caixão. Cuidadosamente, coloquei a formiga dentro, fechando a tampa com um senso inesperado de reverência. Em seguida, comecei a escavar a areia do quintal, criando um buraco que serviria de sepultura. Era pequeno, proporcional ao tamanho do ser…
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Memórias de Uma Infância Distante: As Idas e Vindas da Escola
As idas e vindas da escola Maria Stela de Novaes moldavam-se como um padrão inevitável. Não era um caminho escolhido por mim, mas um destino diário conduzido pela necessidade. Dentre tantos colegas que compartilhavam o trajeto, a Jaque começou a se destacar. Era a terceira série, e nós já nos reuníamos em pequenos “bandos” para ir e voltar da escola. Cada um seguia seu rumo ao final do trajeto, mas até então, caminhávamos juntos, construindo uma rotina que, sem perceber, marcaria a memória. Chegávamos à minha rua, e enquanto eu descia para a Rua da Vitória, em algumas ocasiões, acompanhava Jaqueline até a entrada da sua casa. Nunca conheci seus…




























