Autoconhecimento
Artes & Narrativas
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A Anatomia do Medo: O Avesso da Coragem e a Medida da Humanidade
O medo é uma presença constante, mas não é o algoz. Em sua essência, ele é o avesso exato da coragem, um espelho implacável que reflete as nossas profundezas e afere a medida da nossa humanidade. Ele nos ensina a cautela, forja a nossa humildade e nos impede de encarnarmos heróis incautos, isentos da jornada de incertezas que faz da vida uma tapeçaria inacabada, e, precisamente por isso, bela. O encanto da existência reside neste estado contínuo de “quase”, no detalhe que ainda nos escapa, na topografia que ainda não dominamos. A vida ganha uma espessura fascinante quando vista do avesso, e os nossos temores também. Há uma legião de…
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A Fenda Entre Dois Mundos: A Tensão Entre a Vida e o Inefável
A vida, em sua incessante travessia por significado, pulsa como uma chama indomável, sustentada pela eterna tensão entre duas forças basilares: a pulsão de vida e a pulsão de morte. Há, nas profundezas de cada um de nós, uma voz que sussurra e outra que grita; uma força magnética que nos empurra para a criação, para o encontro e para o amor, e outra que, silenciosa e implacável, nos atrai de volta para a quietude, para o mistério desconhecido, para o eterno repouso. Neste epicentro, percebo-me como a própria porta que se abre para ambos os caminhos. Sou uma passagem que ninguém pode trancar, pois a essência que me habita…
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A Geometria do Afeto: Entre a Miragem do Ego e a Liberdade da Consciência
No labirinto das relações contemporâneas, muitas mulheres se encontram presas em ciclos de desilusão que se repetem como um padrão inescapável. Essa reiteração revela uma verdade ao mesmo tempo desconcertante e libertadora: a raiz do sofrimento amoroso reside, frequentemente, na baixa consciência daqueles com quem nos envolvemos. Para desvendar essa trama, é preciso distinguir a natureza da masculinidade que se apresenta. Homens operando no nível de consciência egocêntrico, o que podemos chamar de Ego Masculino, são prisioneiros de suas próprias carências e impulsos. Para este perfil, o relacionamento é um campo de extração; ele busca na parceira uma forma de obter validação, prazer ou alívio para seus vazios, sem jamais…
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O Choro do Meu Pai: Quando a Dor Visita os Fortes
Era uma manhã comum, ou pelo menos parecia ser. Estava sentado no tapete da sala, olhando ao redor com o olhar curioso e atento de criança. À minha esquerda, a estante com o aparelho de som repousava imóvel, como um guardião silencioso. Daquele ângulo, podia ver a porta, uma parte do meu quarto, o quarto dos meus pais e o corredor que levava à copa. Tudo parecia em seu lugar, um retrato de normalidade que logo seria interrompido. Foi então que ouvi um som inesperado. Um choro. Mas não era um choro qualquer, era potente, profundo, o tipo de choro que carrega o peso de algo irreparável. Virei a cabeça…
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Memórias na Piscina: O Reflexo do Passado
A adolescência é marcada por fases, por vezes intensas, que moldam nosso olhar para o mundo e para nós mesmos. Em minha adolescência, um dos lugares que mais amava frequentar era o Vitória Futebol Clube, um espaço que se tornou uma extensão da minha casa, quase como um santuário de descobertas e superações. Foi lá que me conectei com a natação, uma prática que abracei por dois ou três anos, graças ao programa da Secretaria de Esportes da Prefeitura de Vitória. Não era apenas um lugar para nadar; era um espaço onde construí memórias que ainda vivem em mim. As pessoas me conheciam ali, e essa familiaridade me fazia sentir…
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Executivo: A Imaginação Como Projeção do Futuro
Há momentos na infância que parecem insignificantes no instante em que ocorrem, mas, com o passar dos anos, ganham contornos quase proféticos. Lembro-me vividamente de uma tarde no quintal de casa, no bairro Grande Vitória. Um quintal que mais parecia uma pequena chácara, com espaços amplos que alimentavam minhas brincadeiras e onde a imaginação fazia morada. Ali, entre as paredes de alvenaria que seriam, no futuro, parte de uma piscina que nunca veio a existir, um episódio aparentemente simples se tornou uma marca em minha memória. Naquele dia, eu segurava uma pasta executiva que pertencera ao meu pai. Uma pasta robusta, de couro preto, que ele usava para carregar papéis…
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Caminhos Que se Cruzaram na Infância e se Recriaram no Tempo
A infância tem o dom de nos presentear com laços que, mesmo desfeitos pelo tempo, permanecem em nossa memória com a intensidade de algo que nunca se perdeu. Os primeiros amigos que fizeram parte da minha vida e circularam pela minha casa, cada um à sua maneira, moldaram um período de descobertas e aprendizados. Daniel, Ana Paula, Aline e Keila, nomes que carregam histórias compartilhadas, risadas inocentes e momentos que ainda ecoam na minha lembrança. Keila, com seu jeito determinado, era a mais marcante entre eles. Cresceu e se tornou policial, uma profissão que combina com o espírito firme que ela já demonstrava mesmo em suas brincadeiras de criança. Lembro…
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Primeiros Passos no Altar: Entre o Medo e a Superação
As primeiras pregações sempre deixam marcas profundas, gravadas como um selo no coração de quem as vive. Tenho a lembrança viva de quando, com apenas 10 anos, subi ao púlpito pela primeira vez para levar a mensagem principal. Foi no Morro dos Alagoanos, em um templo simples, ainda na parte de baixo da sede própria da igreja. Era 1995 ou 1996, e eu, tão jovem, sentia o peso da responsabilidade e a expectativa de falar sobre algo maior do que eu mesmo. Preguei sobre Jonas. A história daquele homem que tentou fugir de Deus parecia ecoar de forma simbólica no meu próprio coração. Eu não queria fugir, mas tremia diante…
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Cicatrizes de Aço
Nos fundos do quintal do meu tio Zeco, próximo ao muro baixo que dividia nossa casa da casa da dona Marta, havia uma área de serviço, um espaço que se tornava palco de nossas brincadeiras. Naquele dia, uma fogueira dominava o cenário. Não me lembro ao certo o porquê de a fogueira estar lá, mas sua presença logo se integrou à imaginação fértil que movia minhas brincadeiras com meu primo Rafael. Brincávamos de espadas. Minha espada era uma barra de ferro arredondada, brilhante, que eu imaginava ser tão poderosa quanto as das histórias que povoavam minha mente. Movido por um desejo de torná-la ainda mais imponente, decidi introduzi-la no fogo…
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A Glória que Transborda: Uma Experiência com o Espírito Santo
Aquela energia indescritível, um poder que não se limita à compreensão humana, brota do coração e percorre cada célula do corpo, da cabeça até a ponta dos pés. É um poder que não nasce do esforço humano, mas da rendição absoluta ao Criador. Esse poder se manifesta com intensidade quando, com a boca e a alma em uníssono, proclamamos: Glória, Glória, Glória a Deus! Foi assim que o senti, em 2002, na Assembleia de Deus no bairro Primeiro de Maio. O culto estava cheio, mas, ao mesmo tempo, parecia que eu estava sozinho na presença do Senhor. Diante do altar, dobrei os joelhos. Era um gesto simples, mas cheio de…


























