Autoconhecimento
Artes & Narrativas
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O Castelo Interior: A Construção Invisível da Alma
Um castelo. Não daqueles que se erguem em colinas ou se destacam no horizonte com torres e muralhas visíveis, mas um castelo que se constrói dentro de si mesmo. Suas bases não se limitam ao terreno físico, mas mergulham profundamente no mistério do espírito, cravadas em uma rocha que transcende o mundo. Essa rocha é singular, diferente de qualquer pedra que conhecemos. Ela é viva, pulsante, e seu nome é Vida. Os fundamentos desse castelo não se limitam ao tangível; são basilares, eternos, sustentados pela essência de algo que ultrapassa a compreensão. Colunas de força invisível conectam a rocha aos recantos mais profundos da alma, onde habitam os depósitos mais…
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A Ilusão da Projeção: O Caminho Entre o Que Se Sonha e o Que Se Encontra
A projeção, essa artimanha da mente, constrói ilusões que se estendem como sombras do presente, tentando alcançar um futuro que ainda não existe. É como trazer o “lá” para o “aqui”, antes mesmo de ele ter forma, substância ou verdade. Mas quando, enfim, o “lá” se torna real e habitamos o espaço do que projetamos, a decepção surge como uma visitante não convidada. Encontra o sentimento e o despedaça com sua crueza, pois o que se sonhou não é o que se vive. Quantas ilusões plantamos ao pensar que podemos ser especiais para alguém, ocupando um trono que só existe enquanto dura o delírio de uma autoestima desenfreada. Acreditamos que…
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Buracos no Caminho e na Rotina
Era o ano de 2001, e meu pai era responsável por um ponto de pregação em Paul, Vila Velha. Um lugar simples, escondido nos labirintos da periferia, onde a fé se erguia em meio a terrenos que exigiam mais do espírito do que do corpo. Para chegar àquela casa, passávamos por caminhos que o asfalto jamais tocara. Depois do viaduto principal, virávamos à direita, atravessávamos por baixo de um viaduto mais estreito e seguíamos adiante, em direção a um morro. O carro ficava para trás, pois dali em diante o trajeto pertencia apenas aos pés: uma trilha estreita, margeada pela mata, onde apenas uma pessoa podia passar por vez. Esse…
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Os Tempos de Glória no Primeiro de Maio
O templo do Ministério Ide cresceu, ganhou corpo e expressão. Os filhos do pastor Sebastião também cresceram, acompanhando o desenvolvimento daquela obra. Mas as mudanças em nosso entorno não se limitaram ao crescimento do Ministério Ide. Após a morte do meu amigo, o pastor responsável pela igreja que ficava na mesma rua decidiu mudar-se para outro município, um deslocamento motivado pelo impacto do ocorrido. Com isso, a igreja que ele liderava foi fechada, e aquele espaço tornou-se um vazio aguardando novos propósitos. Foi nesse contexto que os desígnios de Deus começaram a se revelar com clareza. Naquela época, meu pai pastoreava uma igreja em Vila Batista, mas o peso do…
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Memórias da Adolfina e da Rota que Mudou
Era 1999, e eu estava na turma da então 8ª série da EEPG Adolfina Zamprogno. Sentava na frente, ao lado da Simone, uma menina inteligente e de conversa agradável. Naquele tempo, a sala de aula era mais do que um espaço de aprendizado; era um pequeno universo onde amizades, sonhos e descobertas compartilhavam o mesmo ar. Havia muitos colegas que marcaram minha vida: Márcio, que até certo ponto era meu “melhor amigo”, morava em Vila Garrido, numa casa à beira do morro, de onde se podia ver uma parte do bairro Pedra dos Búzios. Estive lá uma única vez. Era um lugar simples, mas a vista tinha algo de especial,…
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Lembranças de Vila Batista e a Música que Permanece
Há histórias que se costuram com detalhes tão singelos quanto inesquecíveis: um teclado, uma avenida, uma porta que se abria para a ação, bancos de madeira simples, uma menina e sua irmã que amavam as canções da Cassiane. Fragmentos de um tempo em que a simplicidade carregava uma profundidade quase poética. Entre tudo isso, havia o “Hino do Vitória”, que se tornava o centro das celebrações, ressoando como a alma de um lugar onde a música era mais do que melodia, era a própria expressão da fé e da comunidade. Naquele cenário, havia também um diácono que tinha um jeito peculiar, quase como um padre, com uma serenidade que parecia…
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Renato e a Primeira Lição sobre a Fragilidade da Vida
Renato era o nome dele, meu colega de sala na primeira série do primeiro grau. Lembro-me de sua presença infantil, simples, tão parecida com a minha. A infância é um espaço de descobertas, mas também de ilusões, onde acreditamos que a vida é um fio inquebrável, imune às tragédias. Mas, em 1991, essa ilusão se desfez de forma abrupta e dolorosa. Foi em um dia qualquer, em casa, quando ouvi alguém falar, provavelmente minha mãe: “Renato morreu.” A frase, direta e sem alívio, me atingiu com um peso que eu, criança, não sabia carregar. Ele havia sido atropelado. Estava na rua principal do bairro Grande Vitória, pegando “ponga” na traseira…
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O Que a Vida Me Disse em Silêncio
Continuando a reflexão iniciada em Introdução às Ideias… Ontem prometi escrever sobre a vida.Hoje, percebo que é mais fácil prometer do que cumprir.A vida não se deixa traduzir facilmente. Ela não se entrega inteira a quem escreve, apenas oferece pistas, fragmentos, impressões. Pensei em falar da vida como um desafio, uma luta, um campo de batalhas. Mas isso seria só uma parte.Pensei em defini-la como dádiva, como presente. Mas isso também não basta.A vida é tudo isso e, ao mesmo tempo, é outra coisa, algo que nos escapa, mesmo quando acreditamos compreendê-la. O que a vida exige de mim?Talvez atenção. Talvez escuta.Talvez coragem para continuar mesmo sem saber por quê.Ela…
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Introdução as Idéias
Ninguém me pediu para escrever.Não houve pedidos de amigos, nem sugestões de parceiros de caminhada. Houve apenas um impulso. Uma vontade silenciosa de dizer algo ao mundo, mesmo que o mundo não estivesse escutando. Começo este blog com mais hesitação do que certeza. Não sei bem quem vai ler, nem se alguém lerá. Mas sei que algo em mim precisava sair, uma palavra, uma pergunta, um incômodo. Escrever, aqui, é mais do que comunicar. É escutar o que pulsa dentro e tentar traduzir em linguagem o que muitas vezes nem sei nomear. Este espaço nasce da solidão pensante, do desejo de entender o que nos move, o que nos trava,…

























