Artes & Narrativas
A Lente Criativa. Emoção, histórias, reflexão estética. Esta é a casa da palavra viva, do entretenimento com profundidade e da catarse. É onde o leitor vai para se emocionar e ser transportado. Abarca seus papéis de: Escritor de Literatura e Teatro. O que entra aqui: Contos, crônicas, roteiros, peças teatrais, poemas, críticas literárias e reflexões sobre o processo de escrita e a dramaturgia da vida.
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O Arquiteto de Limiares: A Geometria do Quase e o Medo do Brilho
Fui mestre de caminhos, mas confesso: temi pisar a estrada que eu mesmo pavimentei. Carreguei o mapa com a autoridade dos sábios, mas os meus pés tremeram ao primeiro passo. Investi em conhecimento com a ousadia de um visionário, apenas para colher o silêncio de um futuro que nunca soube desembarcar. Fui aquele que trocou o “agora” pulsante por uma promessa pueril, embalada num anel de latão vindo de um chiclete, suplicando para que ali morasse o ouro de uma rara eternidade. Suspirei diante dos faróis que iluminaram a minha existência, mas recuei. Não foi a escuridão que me afugentou; foi o brilho. Fui o espectador que viu o sentimento…
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A Bússola Fraturada: O Peso do “E Se?” e a Reconciliação com a Vocação
Existe em mim uma fome de ser, uma força oculta que vibra na fundação da existência e impulsiona cada passo. Sinto, de forma quase visceral, a intuição de que não estou completo. É essa consciência da falta que me obriga a interrogar o mundo com uma pergunta que ecoa no infinito: qual é, afinal, o meu lugar? Não procuro a resposta em um crachá, em um cargo ou em um rótulo transitório. O que me move é um chamado mais profundo; a busca incessante por uma identidade que me defina na essência. Vivemos, no entanto, em uma engrenagem que detesta o infinito. A sociedade limita o sentido da existência a…
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O Falso Egoísmo: A Ética do Zelo e a Materialização do Sacrifício
Desde a infância, aprendi que as coisas possuem um peso que excede infinitamente a sua matéria; elas são o atestado físico do esforço, da dedicação e do sacrifício. Cresci em um cenário onde a escassez ditava as regras. Por isso, cada brinquedo, cada livro ou CD que aterrissava nas minhas mãos era o troféu de um esforço familiar conjunto. Os meus pais não apenas compravam; eles investiam um pedaço da própria vida, doando horas de trabalho e estrangulando desejos pessoais para me proporcionar aquele pequeno luxo. Aquilo não era mero consumo. Era afeto traduzido em matéria, o que transformava cada objeto em uma extensão silenciosa do amor deles e da…
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A Tinta e o Vazio: A Arquitetura do Autoencontro
Há uma ausência que me invade, uma distância silenciosa entre quem sou e quem espero encontrar. Onde estou? Procuro-me entre as palavras, nos fragmentos de cada frase, nos labirintos de cada letra que deixo gravada no papel. Sou a presença que se oculta nas entrelinhas, no abismo entre um vocábulo e outro, na umidade da tinta que ainda não secou. O meu autoencontro acontece na exata interseção entre o papel e a caneta, nesse toque que é simultaneamente sensível e firme, onde cada movimento de caligrafia é um traço incontestável de mim. Encontro-me e perco-me no bloco de notas, no rascunho caótico da vida e nos esboços trêmulos que acabam…
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O Farol Neblinado: A Anatomia do Contraste e o Traço sem Rascunho
Eu sou o contraste, a ruptura do silêncio, o eco que ressoa no vazio; o ego que desmorona e se reconstrói em fragmentos. Sou a incógnita generativa, o pensamento abstrato moldado sem forma definitiva, uma energia disruptiva que pulsa entre o tangível e o desconhecido. Tornei-me o farol neblinado: uma luz que se propõe a guiar, mas que recusa revelar plenamente o caminho, preferindo perder-se na névoa que oscila entre a claridade e o mistério. Carrego em mim o peso do que deveria ter sido. Sou um passado que teima em se projetar no futuro, o eco de um tempo esquecido que reverbera em cada decisão inacabada e em cada…
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A Caverna do Inconsciente: A Topografia dos Sonhos e a Viagem para Dentro
Adentrei o abismo onírico como quem capitula diante do desconhecido, cruzando o limiar de uma porta colossal de madeira envernizada, cujo toque carregava a textura do tempo esculpido. Era um portal solene, convocando-me a um destino refratário à lógica imediata. Do outro lado, uma névoa espessa e acinzentada espraiava-se, cobrindo o horizonte como um véu sagrado. Durante uma fração de segundo, as minhas retinas não captaram nada além da vastidão difusa da ignorância. Mas, respondendo à própria mudez do ambiente, um vulto cruzou o espaço, e um vento de cadência grave começou a erguer as cortinas de neblina, inaugurando um novo mundo. À medida que a ventania varria o cenário,…
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A Margem sem Ponte: A Miragem do Horizonte e o Milagre de Existir
Estou posicionado do outro lado da margem, desprovido de pontes, contemplando um horizonte que se recusa a ser alcançado. É uma fronteira difusa que reverbera a minha vontade; ali o desejo pulsa, mas permanece represado, enredado em desilusões e costurado por projeções fugazes. Trata-se do vislumbre de um futuro generoso, um amanhã que acena com a promessa de afeto, de empatia e de uma alforria real. No brilho dessa promessa, consigo pressentir o calor de uma conexão densa, a completude do ser e uma liberdade que transcende o mero movimento geográfico, revelando-se como uma profunda quietude interior. Habita em mim o paradoxo de querer voar e, simultaneamente, de me recolher.…
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A Exegese do Silêncio: A Tela Comprimida e a Coragem de Escrever
Meu olhar alcança o longe e perscruta o horizonte final. Nesse ato de observar, há algo que ultrapassa o simples desejo de ver; é um convite implacável para desbravar a essência. A vida, com os seus limites sufocantes, muitas vezes parece espremida na frieza de uma tela de computador, restrita a rotinas e padrões, uma existência que tenta sobreviver no território comprimido das horas úteis. Diante desse achatamento, cada caractere que nasce na folha em branco é uma ruptura, um risco assumido. Escrever é um ato de suprema coragem que revela o que a fala teme e o que o coração insiste em trancar. Cada frase converte-se em uma janela…
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A Púrpura e o Orvalho: A Ontologia da Maçã e a Fome do Invisível
A maçã, ali pendurada entre a folhagem, parece guardar no seu núcleo o segredo da humanidade. Ela nunca foi apenas um fruto; é um artefato simbólico que carrega o peso dos mitos fundadores, o fascínio da ciência e a poesia silenciosa do cotidiano. A sua tez fresca, tingida de um vermelho denso que roça o púrpura e banhada pelo orvalho da manhã, sugere um abismo muito mais profundo, um convite irrecusável a investigar o que pulsa além da casca. Ela veste-se com as cores da realeza como quem tem plena consciência do seu valor, ostentando uma elegância natural que captura e desafia o olhar. Há nesse fruto um frescor que…
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O Crepúsculo no Quintal: A Dor, o Bairro Grande Vitória e o Despertar do Eu
A consciência de si não costuma enviar precursores; ela irrompe em nós com a sutileza afiada de um pôr do sol. A minha primeira epifania de autoconsciência materializou-se numa tarde de infância, enquanto eu brincava sobre o muro dos fundos de casa, no bairro Grande Vitória. Estava ali, agachado, imerso na simplicidade ingênua dos jogos solitários, quando um desconforto súbito tomou de assalto a minha fronte. Entre os olhos, uma dor pulsante começou a ditar o seu ritmo, uma pressão densa que o meu vocabulário de menino ainda não sabia nomear. Mais tarde, a medicina chamaria aquilo de sinusite, mas, naquele instante suspenso, a única certeza era a presença irrefutável…





























