Artes & Narrativas
A Lente Criativa. Emoção, histórias, reflexão estética. Esta é a casa da palavra viva, do entretenimento com profundidade e da catarse. É onde o leitor vai para se emocionar e ser transportado. Abarca seus papéis de: Escritor de Literatura e Teatro. O que entra aqui: Contos, crônicas, roteiros, peças teatrais, poemas, críticas literárias e reflexões sobre o processo de escrita e a dramaturgia da vida.
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A Estética do Assombro: A Primeira Vez, a Última Vez e o Reino dos Céus
A advertência de Jesus de que “aquele que não for igual a uma criança não entrará no reino dos céus” é, possivelmente, uma das Suas sentenças mais desconcertantes. Ela transcende a mera exaltação poética da inocência; trata-se do resgate urgente de um estado de espírito que o adulto, esmagado pelo peso das preocupações diárias, deixou atrofiar. A infância carrega uma capacidade ilesa de assombro. É a virtude de não domesticar o olhar, de enxergar em cada milésimo de segundo uma fenda para a descoberta. Ser como uma criança é, em essência, declarar guerra à banalidade e recusar a cegueira diante do comum. O relato de um colega sobre uma viagem…
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A Sacralidade da Penumbra: O Silêncio como Incubadora de Destinos
Há uma sacralidade inegociável nos sonhos; eles repousam no silêncio, resguardados por um véu frágil e intocável de ilusão. Habitam uma dimensão autônoma, um território secreto e inviolável onde o atrito da realidade ainda não os corrompeu. Flutuam como sementes suspensas no éter do desconhecido, aguardando o instante geológico exato para fincarem raízes no solo do possível. Narrá-los antes da hora é profanar o mistério. Expô-los à luz precoce das opiniões alheias é uma mutilação deliberada, uma rachadura que lhes drena o encantamento e a força motriz. O sonho revelado é imediatamente expropriado; ele perde o poder de ser nossa propriedade exclusiva, desintegrando-se em uma versão pública e menor de…
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Salmo da Fratura: A Confissão do Barro e a Esperança da Graça
Ó Senhor, eis-me aqui: despojado de orgulho, com as ilusões rasgadas, em absoluta confissão. Os meus pecados são densos e incansáveis como as ondas que se chocam contra o abismo do mar; são imensuráveis como os grãos de areia que a matemática humana jamais conseguirá abraçar. Sou, na minha essência, um pecador, e diante da Tua santidade reconheço a minha total falência e a urgência desesperada por renovação. Na aurora da vida, o meu coração nutria o desejo puro de Te agradar. Carregava a certeza ingênua de que atravessaria os dias de forma irrepreensível, confiando que a minha própria força moral bastaria para sustentar o sagrado. O tempo, contudo, foi…
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A Pedagogia da Pedra: Drummond e a Estética do Obstáculo
Pode haver um impedimento no centro da sua jornada, um monólito silencioso e imóvel que surge sem aviso para interromper o fluxo do seu percurso. Como no imortal poema de Carlos Drummond de Andrade, essa pedra não deve ser lida como um mero acidente geográfico ou um erro de percurso; ela é, em essência, um chamado. Ela exige de nós uma resposta vibrante, uma atitude que rompa com a paralisia da simples resignação. Se você estagnar diante dela, a pedra permanecerá lá, indiferente e inalterada. Mas, se decidir encará-la como uma ferramenta de amadurecimento, descobrirá que o impedimento é, na verdade, a matéria-prima indispensável do próprio caminho. Diante dessa obstrução,…
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A Botânica do Infortúnio: A Ilusão da Imortalidade e a Cura do Fracasso
Todos carregamos, nos porões da consciência, os germes da autodestruição, forças silenciosas que, se deixadas à própria sorte, florescerão em infelicidade. Esses impulsos manifestam-se como dúvidas crônicas, inseguranças latentes e a paralisia da autossabotagem. O fracasso, portanto, raramente é um acidente de percurso; ele é a colheita inevitável de uma semeadura negligente. Reconhecer os sintomas dessa erosão interna é o primeiro passo para interromper o ciclo, pois ignorá-los é permitir que pequenas ervas daninhas se transformem em árvores cujas raízes acabam por nos aprisionar. O declínio raramente acontece de forma abrupta. Ele ganha musculatura na sombra, alimentado pelos pequenos sinais de desleixo que decidimos não ver. Aqueles que vivem sob…
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O Êxodo da Alma: A Cripta do Passado e a Força do Libertador
A existência é um campo de forças que exige, em cada batida de coração, a coragem de desbravar o incerto. Contudo, é frequente a nossa inclinação para o abrigo das sombras conhecidas, aquele espaço de dormência onde a falsa segurança rapidamente se transmuta em cárcere. Quando nos fechamos nesse panteão de hábitos, tornamo-nos nossos próprios carcereiros, jogando a chave nas fendas da memória e perdendo a capacidade de transpor as grades por nossa própria vontade. Essa jaula do passado não é habitada apenas por lembranças; ela é o depósito onde medos, traumas e arrependimentos se amontoam, forjando barreiras invisíveis que nos exilam do agora e do amanhã. O peso dessas…
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O Mapa dos Dons: A Fome Ontológica e a Construção do Propósito
Há interrogações que criam raízes no fundo do peito, e a caçada pelo sentido da vida é a mais insistente delas. Não é uma dúvida rasteira que surge e evapora com a rotina; é uma chama inextinguível, uma presença que nos interpela em silêncio, exigindo respostas profundas. Afinal, qual é o fio invisível que costura aquilo que somos ao que fomos destinados a nos tornar? Neste mistério pulsante, a vida parece questionar e responder simultaneamente, revelando que o significado se esconde tanto na aspereza do caminhar quanto na epifania do descobrir. Existe uma convicção visceral na verdade, a certeza inabalável de que a nossa passagem por aqui não é um…
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O Mensageiro da Margem: O Eco de uma Palavra Eterna em Padre Gabriel
Aconteceu no limiar entre os anos de 2008 e 2009, na Assembleia de Deus em Padre Gabriel, congregação do Ministério Vale Esperança. Aquele templo de estrutura simples abrigava, em seus espaços, muito mais do que fiéis e liturgias; guardava frações de tempo que reverberariam para muito além das suas paredes. O culto já havia se encerrado, talvez fosse o fim de uma festividade, mas o que cravou na memória foi o exato instante em que um homem, cujo rosto eu nunca havia cruzado e jamais voltaria a ver, caminhou na minha direção. Era um sujeito de pele escura e estatura mediana, vestido com uma camisa social preta que parecia apenas…
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O Nome Cravado nas Constelações: Uma Elegia ao Reencontro
Quando o sol despontou no horizonte, senti a urgência de te amparar; quando a lua se fez plena, quis te desvelar; e, ao notar o céu salpicado de estrelas, nasceu em mim a vontade de moldar o teu rosto nas nuvens, na vã tentativa de fixar a tua presença na imensidão. Olhei fundo em teus olhos, e a tua alma me convocava, como um sussurro eterno, para o abrigo dos teus braços. Um dia, porém, vi o teu nome cravado nas constelações e, naquele exato instante, compreendi: a tua morada sempre foi vasta demais para as limitações deste mundo. Então, você partiu. Foi ao encontro de um lugar onde as…
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A Epifania do Valor: O Instante em que a Vida Começa a Existir
Três palavras, banais em sua estrutura, mas dotadas de um poder sísmico silencioso, alteraram a minha geografia interna para sempre. Guardo esse fragmento de tempo com a nitidez do agora. Eu tinha apenas catorze anos quando alguém me entregou a chave: “Você é importante”. Aquelas palavras não foram meramente escutadas; elas arrombaram as portas da minha percepção e instalaram-se no centro do meu peito com uma força gravitacional, pulsando com a urgência de uma vida que, de repente, descobre que tem o direito irrevogável de existir. Foi como se a abóbada do mundo se rasgasse, revelando um horizonte ontológico até então invisível para mim. Fui tomado por uma alegria…



























