A coragem de se localizar
A cartografia do sagrado exige um marco zero. O livro de Gênesis abre com “no princípio”, e é essa a lição que ele oferece antes de qualquer conteúdo: nenhuma travessia começa sem princípio declarado. O texto tem o seu, e quem lê precisa do seu.
Assim como o viajante depende de um mapa, o estudante precisa de um ponto de origem para que a sua jornada ganhe tração. Todo aprendizado autêntico repousa sobre uma localização precisa. Ninguém se lança ao mar sem conhecer o próprio porto. Na teologia, a consciência dessa latitude espiritual é o primeiro pré-requisito. Você pode ainda não ter delineado a sua linha de chegada, mas ocupa, agora, um espaço delimitado de compreensão. É a partir do reconhecimento honesto desse chão que os passos futuros ganham viabilidade.
Pense na precisão irrefutável da geografia: estando fisicamente no Espírito Santo, é impossível iniciar uma rota terrestre a partir de São Paulo. O movimento é ditado pelas suas coordenadas presentes. O mesmo rigor aplica-se ao intelecto e ao espírito. O seu inventário atual de conhecimento, com todas as suas certezas e lacunas, é o que autoriza ou interdita as próximas rotas.
O objetivo no estudo teológico transcende a conquista de um diploma: é a expansão da própria consciência. Mas como traçar a rota para o norte, o sul, o leste ou o oeste se o seu agora é uma incógnita? Um GPS é inútil se não consegue captar o sinal de onde você está.
A viagem do aprendizado exige a coragem de auditar a própria ignorância e a sabedoria de reconhecer o saber já acumulado. Apenas ao mapear a sua posição atual, sem vaidades, você garante a força necessária para avançar.
O primeiro passo para conhecer a Deus é ter a coragem de se localizar.


