A forma sobre a intenção
Os modelos de gestão operam em duas dimensões: a forma e a função. A própria noção de modelo sugere um molde, uma estrutura pré-definida que, embora adaptável a cenários variados, remete a um ideal normativo. Ele estabelece um padrão a ser seguido, balizando ações, decisões e estratégias.
O perigo intrínseco a essa conceituação é que, dentro dessa estrutura, a forma frequentemente impõe soberania sobre a intenção. A rigidez do processo acaba subordinando e engessando o objetivo final da organização.
Para contornar essa armadilha, os modelos mais maduros não se limitam à estética dos processos: buscam a integração entre forma e função. Se a perspectiva estrutural prioriza a organização e a métrica de controle, a perspectiva integrativa devolve o protagonismo ao propósito e ao impacto real das atividades.
Para cumprir o seu papel, a gestão precisa alcançar níveis elevados em três frentes:
Eficiência. A métrica do processo. Diz respeito à execução impecável das atividades, minimizando atritos, erros e desperdício de recursos. É o fazer bem feito.
Eficácia. A métrica do objetivo. Refere-se ao cumprimento das metas estabelecidas e à produção de resultados tangíveis. É o fazer a coisa certa.
Efetividade. A métrica do impacto. É alcançada apenas quando os objetivos realizados geram transformação e valor real, beneficiando de forma sustentável o contexto em que a organização está inserida.
A gestão contemporânea, para ser efetiva, jamais pode virar as costas para a sua própria história. É na análise retrospectiva que encontramos o inventário de erros e acertos das práticas passadas, e é conhecendo as raízes desses modelos que o gestor estabelece uma ponte entre o pragmatismo histórico e a decisão atual.


