Um CEP privilegiado
O mandamento de ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura jamais foi proferido como sugestão de rota ou conselho pastoral. É um imperativo, uma convocação à missão de espalhar a mensagem do Cristo por todas as frestas da terra.
O evangelho repudia o confinamento. Ele não pertence a um CEP privilegiado, nem é propriedade de um grupo seleto: a sua natureza exige ser vivido e partilhado sem o filtro das restrições humanas. A eternidade não nos permite o luxo letárgico de aguardar pelo cenário perfeito ou pela conveniência dos calendários.
A colheita já pesa madura nos campos, como diz o evangelho de João, e cada geração que pisa nesta terra carrega um potencial irrepetível de intervir no curso da história. O tempo não possui a virtude da paciência, e a janela para semear a eternidade é o agora. Cada indivíduo é um elo na corrente que liga a intenção divina ao mundo em ruínas, e a nossa vocação não aceita a burocracia do adiamento.
Por sua própria essência, o evangelho não cabe na arquitetura dos templos. O seu território de direito são as praças ruidosas, os becos esquecidos, as mesas de jantar e o núcleo caótico do coração humano. A mensagem da cruz recusa a esterilidade das quatro paredes, porque onde quer que a vida pulse, ali deve soar o convite.
O evangelismo não é um programa institucional. É a resposta de quem foi amado pelo Divino e não consegue reter para si o mapa da vida.


