Hábitos involuntários da Graça
Assim como as leis que regem o universo físico, o sobrenatural também obedece a princípios. Os milagres não expressam a dificuldade ou a grandiosidade que a mente humana tenta lhes atribuir: são o fluxo do amor divino. Não existe ordem de complexidade para um milagre. A crença de que curar uma enfermidade é mais difícil do que resolver um dilema cotidiano é uma barreira puramente humana. Para a Fonte, não há feito maior ou menor.
O erro mais frequente do homem é idolatrar o fenômeno e negligenciar a Fonte. A experiência do milagre é o desfecho visível de uma conexão invisível, e mais vital do que o alívio imediato é o relacionamento com Quem o proporciona. Quando nos alinhamos a Deus, percebemos que o extraordinário é a verdadeira ordem natural das coisas. Milagres são hábitos involuntários da Graça.
Jesus cravou na história a premissa de que Ele é o caminho, a verdade e a vida. Todo milagre, portanto, significa Vida. Ele surge onde há carência, preenchendo lacunas do corpo e do espírito que a alma, entregue à própria sorte, é incapaz de suprir. Deus nos ama primeiro, e a nossa parte é a receptividade de um coração desarmado.
Por fim, é imperativo despir o sagrado de qualquer roupagem teatral. O milagre não é espetáculo de mágica desenhado para inflar líderes, fomentar crendices rasas ou manipular multidões. O seu único propósito é revelar a essência do amor do Criador e edificar a fé.
O milagre é, antes de tudo, uma experiência de humildade. Ele não existe para nos aplaudirmos diante da suspensão das leis físicas, mas para nos prostrarmos, em reverência e silêncio, diante Daquele para quem o impossível é a mais pura rotina.


