Digitais
Olhei fundo em teus olhos, e a tua alma me convocava para o abrigo dos teus braços.
Um dia vi o teu nome cravado nas constelações e compreendi que a tua morada sempre foi vasta demais para as limitações deste mundo.
Então você partiu.
Hoje o céu chora a tua ausência, e a chuva derrama-se como se tentasse redesenhar os teus traços em cada gota que toca o chão. Permito que a água me banhe, guardando no silêncio do peito as marcas afiadas da saudade, as digitais de amor que você deixou impressas na minha pele.
Prosseguirei de pé, sem temor, até o instante em que o teu olhar se cruze novamente com o meu.


