Critérios de papel glassé
É notável, e por vezes desconcertante, a velocidade com que nos lançamos em relacionamentos baseados em critérios de papel glassé: frágeis, transitórios e visualmente sedutores. Muitos parecem ter perdido a capacidade de definir o que realmente importa e, órfãos de critérios sólidos, acabam aceitando qualquer presença que preencha o vazio imediato.
Nesta cultura de aparências, onde o invólucro se tornou o centro das atenções, a beleza física, esse critério tão efêmero quanto cruel, tornou-se o único ponto de atração. Relacionamentos baseados apenas no desejo visual ou na conveniência social não possuem raízes. São plantas sem solo, destinadas a secar ao primeiro sol da realidade.
Amar exige a maturidade de saber esperar, e a sabedoria paulina, em 1 Coríntios 13, define isso como uma das qualidades do amor real: tudo espera. Esta espera não é passividade nem ausência de ação, mas um laboratório de caráter, um amadurecimento da alma que se recusa a agir sem propósito.
Quando apressamos o início de uma relação, buscando o prazer antes do lastro, o prazer sem propósito perde o seu poder de edificar e passa a corroer. O resultado de negligenciar a essência é uma coleção de feridas emocionais de difícil cicatrização.
Estabelecer critérios é um reflexo da nossa própria evolução. É compreender que o parceiro que buscamos deve estar alinhado com a nossa escada interior, compartilhando a vontade de viver uma relação onde o verdadeiro prazer é o de conhecer e caminhar junto.



One Comment
Anônimo
Boa ideia para ter um bom relacionamento!!!