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Realidade de isopor
Kant nos ensina que a coisa em si repousa oculta, inacessível à nossa compreensão. O que tateamos não é o ser essencial, mas as suas aparências fenomênicas, as representações que a mente é capaz de processar. A nossa época tomou emprestada essa palavra, aparência, e a esvaziou. Em Kant, ela nomeia um limite do conhecimento. No ditado que rege os nossos dias, “o que importa não é ser, é parecer”, ela nomeia uma preferência moral. O que era constatação de fronteira virou permissão. Transitamos por um mundo onde a vitrine foi divinizada. O que é visível, embalado e interpretável pelos sentidos assumiu o trono, enquanto aquilo que de fato existe…


