Filosofia & Teologia

Eu Sou

As sete declarações de Cristo no Evangelho de João são mais do que metáforas poéticas: são convites para o encontro. Elas revelam um Deus que se recusa a ser confinado em conceitos e se faz presença viva.

Eu sou o pão da vida.

O pão é a matéria que sustenta, sacia e nutre. Em um mundo esgotado por vazios e insatisfações crônicas, Ele se apresenta como o sustento que transcende a biologia e toca a fome da alma. É o alimento que, ao ser partilhado, multiplica-se.

Eu sou a luz do mundo.

Nas trevas da incerteza e da confusão moral, Ele é a claridade que devolve os contornos exatos à realidade. Ser a luz significa dissipar a neblina do medo e revelar o próximo passo. É o farol que impede o náufrago de bater nos rochedos.

Eu sou a porta.

A porta é o limiar entre o conhecido e o mistério. Jesus não se apresenta como uma das muitas opções, mas como o único acesso legítimo. Passar por essa porta é inaugurar a própria transformação.

Eu sou o bom pastor.

Ele conhece a identidade íntima de cada ovelha, mapeia as suas vulnerabilidades e reconhece as suas forças. Ser o pastor não é um título de autoridade fria, mas um ato de entrega. É a compaixão que acolhe, cura, restaura e conduz a alma exausta ao descanso.

Eu sou a ressurreição e a vida.

A ressurreição é o triunfo sobre a finitude, a derrota do medo último. Ele é o sopro que devolve vigor àquilo que o mundo já havia declarado morto. O túmulo não é um ponto final, mas a vírgula que antecede a eternidade.

Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

No labirinto da existência, onde tantas estradas nos confundem, Ele se declara o trilho que conduz à essência. A verdade, aqui, deixa de ser uma teoria para se tornar uma Pessoa que dissolve as nossas ilusões.

Eu sou a videira verdadeira.

A vida não subsiste no isolamento. Para que os ramos produzam frutos, precisam estar enxertados no tronco. Ele é a seiva que percorre as nossas veias espirituais, provando que qualquer tentativa de existir separado da Fonte resulta na secura do nosso próprio orgulho.

Essas sete declarações são o apelo para que o coração humano cesse de buscar do lado de fora aquilo que só pode ser saciado no centro do Eu Sou.

Tiago Rizzolli é administrador, professor, pesquisador e ministro do Evangelho (Missão Apostólica Assembleia de Deus – CADEESO/CGADB). Movido pela busca constante de sentido nas relações humanas, atua na intersecção entre a educação, a gestão e a espiritualidade. Doutorando em Educação com foco em filosofia e pensamento crítico, é também Coordenador-Geral de Atendimento à Comunidade no Ifes - Campus Cariacica. Neste espaço, ele compartilha análises e reflexões que cruzam as fronteiras do rigor acadêmico com a vivência prática, a liderança institucional e a fé cristã aplicadas ao dia a dia.

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