Sem forma e vazia
Meu mundo é o caos, uma vastidão de desordem onde tudo se perde e se dissolve. Não consigo distinguir objetos, não há linhas ou horizonte, apenas um vazio nebuloso onde o sentido se esvai. A cada olhar, vejo apenas a desordem, e me torno estrangeiro em mim mesmo.
O caos é, em sua essência, a ausência de sentido. Nele deixo de imaginar, e sem imaginação perco minha arte.
Esse vazio incita uma busca por algo que o preencha. Mas como preencher o que já não reconhece forma? Como saciar um espaço onde tudo é sem contorno, sem delimitação? Ao tentar entender a natureza do vazio, sinto que perco a própria condição de ser.
Talvez, no caos, eu exista, mas não seja real. A existência sem forma é uma presença que flutua, que não se ancora. Talvez haja, em muitos mundos, pessoas que existem sem ser reais. E então eu pergunto: você existe? E você é real?
Nas Escrituras, lemos que no princípio a terra era “sem forma e vazia”. Somos, cada um de nós, como essa terra. Do pó fomos criados, e ao pó voltaremos. Existimos em nossa natureza inicial sem contornos, esperando a ordenança do Eterno para sermos moldados. É a vida, convocada pelo sopro divino, que traz forma ao pó.
Mas a forma, por si só, ainda é insuficiente. É o primeiro passo para se livrar do caos, e permanece vazio até que o Espírito lhe conceda plenitude. O Espírito molda-se às formas, penetrando-as e preenchendo-as. O mundo, ao receber suas formas, clama por preenchimento; a terra, ao ser moldada, busca as sementes.
O homem sem o Espírito tem a forma, mas permanece vazio. E para ser preenchido, precisa de limites. A forma implica delimitação: o homem precisa de começo e fim, precisa conhecer seu território, suas fronteiras. É a Lei do Senhor que estabelece essas delimitações.
Quando alcanço essa forma, quando sou cheio e conheço o território de minha alma, o caos se dissipa. A ordem emerge, e com ela a harmonia. Não existe arte sem a disposição das formas e o preenchimento adequado. Onde há harmonia, o caos deixa de existir.
A liberdade verdadeira só existe no contexto da forma e da delimitação.
Já não sou dominado pelo caos, pelo vazio, pela deformação.



One Comment
Danilo
Ola Thiago!
Visitando blogs para divulgar o nosso Genizah encontrei o seu espaço. Supresa boa. Ótimo material inédito e bons posts em geral. Parabéns.
Aproveitamos a oportunidade para convidá-lo a conhecer o Genizah, um blog que faz apologética com muito humor, oferece textos inéditos de grandes autores e dá bom combate na heresia e nos modismos que tanto mal andam fazendo à difusão do Evangelho puro!
Vejo você por lá e já estamos lhe seguindo.
Paz e Bem.
Danilo
http://www.genizahvirtual.com/