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Todos os homens desejam conhecer
A Metafísica de Aristóteles começa com uma das frases mais famosas já escritas: Todos os homens, por natureza, desejam conhecer. Não é uma exortação. É uma afirmação factual sobre a espécie. Ele a apoia no prazer que temos com os sentidos, sobretudo com a visão, que buscamos mesmo quando não vai servir para nada. Li isso e resumi para uma disciplina. E, um ano antes, eu havia entrevistado uma turma de sétimo ano numa escola pública de periferia. Perguntei o que achavam das aulas de Artes. Responderam que não consideravam importante. Anotei no meu relatório que era possível perceber um pragmatismo nas declarações deles, e escrevi uma pergunta que não…
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Deslumbramento
Aristóteles diz, na Metafísica, que os homens começaram a filosofar por espanto. Primeiro diante das dificuldades imediatas, depois avançando pouco a pouco para questões maiores. Espanto é o ponto de partida do conhecer. Não a necessidade, não a utilidade, não o método: o assombro diante de uma coisa que a pessoa não entende. E ele acrescenta uma observação que quase ninguém cita: o conhecimento dissolve o espanto de propósito. Dá o exemplo da diagonal do quadrado, que não pode ser medida pela mesma unidade do lado. No começo, isso é espantoso. Depois que se conhece a demonstração, espantoso seria o contrário. Ou seja: para Aristóteles, o espanto é o combustível…





