O cronograma pessoal
A paciência é a porta de entrada para o verdadeiro entendimento de quem serve a quem. Quando nos debruçamos sobre a nossa própria pressa, somos confrontados com uma dura realidade sobre a servidão: um coração incapaz de suportar a demora revela uma alma que ainda não foi moldada pela quietude.
Viver sem paciência é inaugurar, aqui e agora, o inferno da inquietação. Sem ela, transformamos o próprio peito em um terreno instável, um solo árido onde a paz prometida por Deus não consegue criar raízes. O impaciente sofre uma miopia espiritual: não consegue enxergar que o peso que esmaga o seu peito é, muitas vezes, colocado por ele mesmo.
No fundo, a anatomia da impaciência revela uma doença mais profunda: o egoísmo. O impaciente é alguém que se colocou no centro do universo e se frustra quando o tempo, os outros e o próprio Deus ousam discordar do seu cronograma pessoal. Aprender a esperar é o ato de abdicar do trono. É reconhecer que o universo não orbita a nossa vontade.
Ninguém persevera sem antes aprender a esperar. A constância, a força para suportar os dias difíceis e a capacidade de chegar até o fim nascem, invariavelmente, no solo da paciência.
Cristo não nos promete uma vida onde tudo acontece na hora em que queremos. Oferece a leveza de espírito para suportar o compasso de espera.


