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Instantes
Continuando a reflexão iniciada em Ninguém me pediu para escrever… Prometi escrever sobre a vida. Hoje descubro que é mais fácil prometer. A vida não se entrega inteira a quem escreve. Oferece pistas, fragmentos, impressões, e recolhe o resto. Pensei em falar dela como luta, como campo de batalha. Pensei em chamá-la de dádiva. As duas coisas são verdade e nenhuma basta, porque a vida é também aquilo que escapa justamente quando acreditamos ter compreendido. O que ela exige de mim? Presença. Não de corpo apenas, mas de alma desperta. Ela pede que eu esteja inteiro mesmo quando estou em pedaços. O que ela oferece? Instantes. Não promessas eternas, lampejos…
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Ninguém me pediu para escrever
Ninguém me pediu para escrever. Não houve convite, não houve encomenda, não houve amigo insistindo. Houve um impulso: a vontade de dizer alguma coisa ao mundo mesmo sabendo que o mundo não estava escutando. Começo com mais hesitação do que certeza. Não sei quem vai ler, nem se alguém lerá. Sei apenas que algo precisava sair, uma palavra, uma pergunta, um incômodo. Escrever, aqui, é menos comunicar do que escutar o que pulsa dentro e tentar dar nome ao que ainda não tem nome. Este espaço nasce da solidão pensante. Do desejo de entender o que nos move e o que nos trava, neste mundo que se esconde atrás de…




