Uma clareira entre a pressa e a eternidade
O tempo é um enigma persistente que, como uma presença invisível, permeia cada fresta da existência.
Somos cativos da cronologia e, ao mesmo tempo, os autores que fiam a sua passagem. Nossa vida se desenrola em um presente inquebrantável, o único solo firme onde o caminhar é possível. O hoje nunca está só: carrega o eco das saudades e a promessa dos sonhos. Não há avanço ou recuo que não parta do agora, e é nessa limitação que reside a beleza absoluta da vida.
A sabedoria milenar nos recorda que há um tempo para tudo, mas o discernimento do instante exato não nasce do conhecimento comum. É o tempo que nos obriga a buscar o saber que livro algum pode oferecer: a percepção do próprio ser. Ele nos concede o passado para que a saudade nos humanize, o presente para que a criação nos liberte, e o futuro para que o horizonte permaneça aberto.
Às vezes, a sucessão de segundos parece uma cela. É então que percebo que tudo o que sou depende da integridade do momento presente.
Meu mundo é uma tapeçaria de retalhos de tempo, costurados por instantes de consciência. Vivo entre esses retalhos, transformando fragmentos de dor e beleza no que revela a minha essência.
Nessa clareira entre a pressa e a eternidade, resgato quem eu sou.


