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O que fica atrás
Passei as últimas semanas relendo textos que escrevi em 2006. São memórias de infância e adolescência, quarenta e poucas, que ficaram guardadas vinte anos sem que eu soubesse dizer por quê. Ao reabri-las, encontrei uma coisa que não esperava. Quase todas terminavam explicando. Um caixão branco no velório de um colega de primeira série, e logo depois um parágrafo sobre a fragilidade da vida. Um prego atravessando o pé de uma criança que brincava de navio, e logo depois um parágrafo sobre os buracos do caminho. Uma professora gritando comigo diante da turma, e logo depois três parágrafos sobre o que é ensinar de verdade. Levei algum tempo para entender…
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Ninguém me pediu para escrever
Ninguém me pediu para escrever. Não houve convite, não houve encomenda, não houve amigo insistindo. Houve um impulso: a vontade de dizer alguma coisa ao mundo mesmo sabendo que o mundo não estava escutando. Começo com mais hesitação do que certeza. Não sei quem vai ler, nem se alguém lerá. Sei apenas que algo precisava sair, uma palavra, uma pergunta, um incômodo. Escrever, aqui, é menos comunicar do que escutar o que pulsa dentro e tentar dar nome ao que ainda não tem nome. Este espaço nasce da solidão pensante. Do desejo de entender o que nos move e o que nos trava, neste mundo que se esconde atrás de…





