Filosofia & Teologia

A Lente Investigativa e Espiritual. Profundidade, sentido, rigor acadêmico. Aqui reside a sua busca pela verdade, pelo sentido e pelas bases do pensamento humano e divino. É o seu espaço de maior densidade teórica. Abarca seus papéis de: Filósofo, Teólogo e Pesquisador. O que entra aqui: Ensaios sobre epistemologia, análises éticas, estudos teológicos aprofundados, recortes da sua pesquisa acadêmica de doutorado e reflexões sobre a condição existencial humana.

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    O medo de ser livre

    Jesus declarou que veio libertar os cativos, dissolver as correntes invisíveis que prendem o homem ao mundo e a si mesmo. Uma liberdade que confronta e desafia o medo. Quando o Espírito de Deus age no homem, ele é liberto do medo que o paralisa, que o reduz a buscar refúgio apenas naquilo que seus olhos podem ver e suas mãos podem tocar. O homem sem Cristo carrega o peso do medo de ser livre. Ele se agarra às coisas que o mundo oferece, teme se render a uma liberdade que não controla. Busca segurança no que pode possuir e naquilo que pode mensurar. Há uma certa tranquilidade em crer…

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    Uma teoria bonita, porém frágil

    Há uma crença entre os religiosos, quase um axioma, que insiste: devemos acreditar no impossível. Dizem isso com convicção, como uma verdade que ultrapassa a razão. Mas o que acontece quando essa crença precisa virar ação viva? É uma tarefa fácil, quase trivial, falar de fé ao outro. Exortar alguém a confiar naquilo que não vê é um exercício seguro quando estamos de fora. Contudo, quando o impossível se aproxima de nós com sua face fria e densa, nossas palavras titubeiam. A fé, tão valente em teoria, começa a oscilar. Então construímos uma fé ao avesso: passamos a acreditar apenas no que vemos e a duvidar do que é invisível.…

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    O corpo não saiu do lugar

    Escrevi há pouco quatro parágrafos sobre a atração. Saíram fáceis. Falavam de uma presença que atravessa o tempo, de uma sedução que não é da aparência, de uma essência que dispensa explicação. Reli e percebi que em nenhum momento eu havia dito o que estava descrevendo. Tinha enobrecido antes de nomear. Nas mesmas semanas, reencontrei três textos antigos. Num deles eu tinha treze anos, e uma menina me pediu uma palavra gentil diante de um espelho. Respondi que era muito controlado, que nada me tirava do controle. Noutro, aos dezesseis, uma moça se inclinou sobre uma mesa a dois passos de mim e ficou ali. Pensei que ela me odiava.…

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    O que fica atrás

    Passei as últimas semanas relendo textos que escrevi em 2006. São memórias de infância e adolescência, quarenta e poucas, que ficaram guardadas vinte anos sem que eu soubesse dizer por quê. Ao reabri-las, encontrei uma coisa que não esperava. Quase todas terminavam explicando. Um caixão branco no velório de um colega de primeira série, e logo depois um parágrafo sobre a fragilidade da vida. Um prego atravessando o pé de uma criança que brincava de navio, e logo depois um parágrafo sobre os buracos do caminho. Uma professora gritando comigo diante da turma, e logo depois três parágrafos sobre o que é ensinar de verdade. Levei algum tempo para entender…

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    Círculo de Oração

    Cresci no Evangelho. Desde as minhas primeiras lembranças, minha mãe pertence ao Círculo de Oração. Foi nesse ambiente que fui formado: entre vozes de mulheres simples, mas cheias de Deus, que se reuniam para interceder quando muitos sequer sabiam o que era oração. Quando eu tinha por volta de cinco anos, o poder de Deus era visível na vida da minha mãe. Lembro-me nitidamente de uma tarde na Assembleia de Deus em Estrelinha, perto do campinho. Eram por volta das quinze horas. Minha mãe, junto com outras irmãs, estava no Círculo de Oração. Havia no ar um peso de glória, uma atmosfera de poder que permanecia depois do culto. De…

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    Paz, meu jovem

    Quando nos mudamos para Pedra dos Búzios, em Vila Velha, eu estava no início da adolescência. Comecei a frequentar a Primeira Igreja Batista de Primeiro de Maio (PIBPM). Depois da primeira visita, continuei indo: às vezes na Escola Bíblica Dominical, outras nos cultos de meio de semana e nos domingos. Quase parecia já um membro. Aos poucos, porém, fui deixando de ir. Tínhamos uma vizinha chamada Eni, casada com o Seu Francisco, a quem chamávamos, com carinho, de Titico. Ambos já idosos à época, por volta dos sessenta e poucos. Eni era uma senhora bonita, de pele clara, cabelos grisalhos, mais para o branco do que para o preto, e…

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    Sem que eu conhecesse suas vozes

    Quando vou à igreja, não só à minha, mas em especial quando visito outras, levo comigo uma esperança que parece pequena, mas pulsa forte dentro de mim. Uma esperança de que, ali, entre as cadeiras e os cânticos, entre os olhos fechados da oração e os olhos abertos da fé, esteja ela… minha futura esposa. Procurava santidade. Pureza no olhar. Amor pela Palavra. Aquela que fosse, ao mesmo tempo, sensível e firme, com vontade de formar uma família de verdade, no temor do Senhor. Mas, mesmo com tudo isso queimando em mim, ficava parado. Esperava. Pensava: “Se for de Deus, ninguém vai impedir.” E assim me escondia atrás dessa verdade,…

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    O Folheto

    Eu me sentia desorientado, cheio de perguntas que pareciam ecoar sem resposta. Minhas orações eram constantes, mas os céus permaneciam silenciosos. Cada dia parecia um mergulho mais fundo em uma névoa de dúvidas e hesitações. Aproximadamente às quatro da tarde, eu caminhava pela calçada próxima ao Palácio Anchieta. O sol começava a inclinar-se, tingindo o céu de tons mais suaves, mas dentro de mim não havia suavidade. Atravessava aquele espaço como quem transita entre mundos, a Praça Oito atrás de mim e o Parque Moscoso à frente. Lembro-me de que, naquela época, talvez ainda existisse a loja da Lauriete, a Lauriete Music, um marco naquelas redondezas. Enquanto caminhava, um vento…

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    Jonas, outra vez

    Tenho a lembrança viva de quando, com apenas 10 anos, subi ao púlpito pela primeira vez para levar a mensagem principal. Foi no Morro dos Alagoanos, em um templo simples, ainda na parte de baixo da sede própria da igreja. Era 1995 ou 1996, e eu, tão jovem, sentia o peso da responsabilidade. Preguei sobre Jonas. A história daquele homem que tentou fugir de Deus. Eu não queria fugir, mas tremia diante do que aquele momento representava. A pequena congregação estava ali, atenta, com olhos que me observavam e ouvidos que aguardavam o que eu tinha para dizer. Minha segunda pregação foi na Assembleia de Deus em Gurigica, uma congregação…

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    Dobrei os joelhos

    Aquela energia brota do coração e percorre cada célula do corpo, da cabeça até a ponta dos pés. É um poder que nasce da rendição absoluta ao Criador. Esse poder se manifesta com intensidade quando, com a boca e a alma em uníssono, proclamamos: Glória, Glória, Glória a Deus! Foi assim que o senti, em 2002, na Assembleia de Deus no bairro Primeiro de Maio. O culto estava cheio, mas, ao mesmo tempo, parecia que eu estava sozinho na presença do Senhor. Diante do altar, dobrei os joelhos. Fechei os olhos, abri a boca e deixei a alma falar, sem me preocupar com quem estava ao lado. Não havia mais…