Filosofia & Teologia
A Lente Investigativa e Espiritual. Profundidade, sentido, rigor acadêmico. Aqui reside a sua busca pela verdade, pelo sentido e pelas bases do pensamento humano e divino. É o seu espaço de maior densidade teórica. Abarca seus papéis de: Filósofo, Teólogo e Pesquisador. O que entra aqui: Ensaios sobre epistemologia, análises éticas, estudos teológicos aprofundados, recortes da sua pesquisa acadêmica de doutorado e reflexões sobre a condição existencial humana.
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Mapear as próprias limitações
Existe uma condição essencial para provarmos da graça de forma genuína: precisamos ter a coragem de olhar para dentro. Sem um profundo conhecimento de quem somos, e da presença silenciosa de Deus em nosso interior, a vida espiritual não passa de uma teoria vazia. O primeiro passo dessa jornada é o golpe mais duro contra o nosso orgulho: reconhecer que, por nós mesmos, somos insuficientes. Tudo o que conseguimos reter nas mãos não é mérito exclusivo nosso, mas um empréstimo contínuo do Doador. Quando reconhecemos essa dependência, nasce uma gratidão limpa, sem as amarras da arrogância. E é dessa gratidão que brota uma paciência muito específica, capaz de transformar até…
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Aquilo que retemos por medo
Nós gostamos de acreditar que estamos no comando. Organizamos nossos dias, antecipamos as crises e carregamos o peso das nossas responsabilidades como se o mundo fosse parar de girar caso soltássemos as rédeas por um segundo. Construímos a nossa segurança sobre a ilusão do controle. Mas então a vida pesa, o cansaço cobra a conta, e somos forçados a encarar uma verdade amarga: por nós mesmos, não conseguimos sustentar a arquitetura da nossa própria existência. É exatamente nesse ponto de exaustão, quando as nossas certezas ruem, que o conselho do Salmo 37:5 nos confronta: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e Ele tudo fará.” Entregar o caminho não…
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Senhor de si
A que ponto chega a crueldade humana? Pergunto se o progresso e o avanço tecnológico fizeram de nós homens de primeiro mundo. E pergunto o que significa primeiro mundo. Um país desenvolvido economicamente? Tecnologicamente? Ou um lugar onde as pessoas aprenderam a dominar o próprio lado instintivo? Fico com a terceira definição, e é justamente ela que não se sustenta. O domínio dos instintos também serve ao mal. O hipócrita domina os seus, e domina para o mal. O calculista domina os seus e espera. O psicopata é, entre todos, o mais senhor de si. O autodomínio mede quanto alguém consegue segurar. Não diz nada sobre para onde vai o…
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Sisudo em palavras
Davi era o caçula, o último a ser lembrado entre os filhos de Jessé. Talento, biblicamente falando, não é uma habilidade. É um valor, uma unidade de peso, uma moeda. O sentido que damos hoje à palavra vem de uma parábola em que talentos são dinheiro entregue a servos para ser movimentado. Quem tem talento, nesse sentido antigo, tem algo que só vale quando circula. Davi era músico, e sua música trabalhava: restaurava a alma aflita de Saul, trazendo paz onde havia aflição. Quando o descrevem a Saul, dizem que ele sabe tocar, é valente, é homem de guerra e é sisudo em palavras. A expressão vem da tradução de…
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Água viva
O Salmo 104 descreve a criação com profundidade poética e nos lembra que somos pequenos diante da majestade divina. Deus faz rebentar nascentes; as águas correm entre os montes e dão de beber a todos os animais do campo. Assim como Tales de Mileto observou a água como o elemento fundamental da vida, reconhecemos que sem água não há existência. Sem o Espírito de Deus, não há vida espiritual. Na Festa de Sucot, os sacerdotes retiravam a água do tanque de Siloé. Foi nesse contexto que Jesus falou da água viva que satisfaz a sede eterna. Ele não propôs um símbolo novo: ocupou um que já estava em uso, no…
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O café das 17h30
Quando coloco um par de óculos escuros, vejo o mundo sob uma tonalidade mais escura. Minha visão não alcança diretamente o que está diante de mim, passa por uma lente que modifica o que vejo. Na empresa onde trabalho, costumo tomar um café às 17h30. Ao chegar à cozinha, encontro, na maioria das vezes, uma garrafa praticamente vazia. Diante disso posso dizer “só deixaram o resto para mim” ou “que bom, ainda restou um pouco”. Observar é uma escolha de perspectiva. Ao olhar para algo, podemos enxergar de diferentes ângulos, e a escolha do ângulo define nossa percepção. Muitas vezes escolhemos o ponto de vista inconscientemente, deixando que o piloto…
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Sem forma e vazia
Meu mundo é o caos, uma vastidão de desordem onde tudo se perde e se dissolve. Não consigo distinguir objetos, não há linhas ou horizonte, apenas um vazio nebuloso onde o sentido se esvai. A cada olhar, vejo apenas a desordem, e me torno estrangeiro em mim mesmo. O caos é, em sua essência, a ausência de sentido. Nele deixo de imaginar, e sem imaginação perco minha arte. Esse vazio incita uma busca por algo que o preencha. Mas como preencher o que já não reconhece forma? Como saciar um espaço onde tudo é sem contorno, sem delimitação? Ao tentar entender a natureza do vazio, sinto que perco a própria…
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O que estamos dispostos a ver
Os dias, em sua passagem implacável, vão consumindo nossas forças, e o esforço de abrir caminhos nos enfraquece. A vontade de alcançar a chegada é tamanha que a ansiedade toma conta do coração, enchendo-o de pressa. Com os olhos fixos na meta, esquecemos de quem está ao nosso lado. Deixamos de ver aqueles que caminham conosco, como se fossem apenas sombras no caminho. Esquecer por ausência pode ser compreensível. Esquecer porque escolhemos não ver o outro é imperdoável. A cada dia que passa, me convenço mais de que enxergamos apenas aquilo que estamos dispostos a ver.
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O meio-fio
Era o aniversário da igreja Assembleia de Deus no bairro São João Batista, em Vila Velha, provavelmente no ano de 2007. Meu amigo Douglas Pinheiro pastoreava aquela pequena congregação, auxiliado pelo então presbítero e hoje pastor Joabe. Recebi o convite para pregar por dois dias: na noite de sábado e na manhã de domingo. Naquela noite de sábado, a igreja estava cheia. Enquanto ministrava a palavra, um senhor entrou. Seus passos vacilantes e a maneira como se dirigiu ao último banco denunciavam o estado em que estava. Sentou-se perto da porta de saída e começou a proferir palavras aleatórias, frases soltas que logo se tornaram um foco de distração. Percebi…
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Por fora e por dentro
O que é, afinal, um bom relacionamento? Talvez seja algo simples e profundo ao mesmo tempo: a consistência da minha felicidade entrelaçada à busca da felicidade do outro, um laço sustentado na verdade e no amor. A busca frenética por uma rede de contatos, por “amigos” adquiridos através da técnica e de interesses mascarados, forma estruturas frágeis, construídas sobre a areia do fingimento. Amizades superficiais corroem a humanidade, formando pessoas insatisfeitas e solitárias, que enxergam no outro um objeto de manipulação, uma peça a ser ajustada para atender interesses. Nossos julgamentos e opiniões nascem de um ponto inicial em nós, uma série de pressupostos que trazemos na nossa bagagem interna.…



























